Após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou seu mandato , o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), anunciou que vai recorrer ao próprio TSE para tentar reverter a situação. Enquanto isso, Lago tem direito de permanecer no cargo.
- Nós acabamos de ver mais uma vez como é difícil enfrentar as elites do nosso estado e as elites do nosso país - disse Lago, acrescentando que os advogados vão entrar com as medidas judiciais cabíveis. - Vamos pois, aguardar os resultados das ações dos nossos advogados. Mas quero dizer também que tenho consciência de nossa responsabilidade com a maioria da população do nosso estado.
Aqueles que entendem que nós devemos lutar também para defender o voto de cada mulher e cada homem, contem comigo - afirmou Lago, que acompanhou o julgamento por um telão do lado de fora do Palácio dos Leões, sede do governo do estado, ao lado de cinco mil pessoas que foram para o acampamento montado pelo Movimento dos Sem Terra (MST).
Após seis horas de julgamento, o TSE cassou na madrugada o mandato de Jackson Lago e de seu vice, Luiz Carlos Porto (PPS). Por cinco votos a dois, os ministros chegaram à conclusão de que, durante a campanha, Lago cometeu dois crimes eleitorais: compra de votos e abuso do poder político e econômico.
Lago é o quarto governador cassado. Outros seis ainda estão na mira do TSE. Há duas semanas, Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, também teve o mandato cassado .
O tribunal decidiu que, em substituição, assumirá o cargo a segunda colocada na eleição de 2006, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). A outra alternativa seria convocar eleições indiretas no estado - uma proposta que acabou derrotada, mas chegou a ser defendida por três dos sete ministros.
Roseana, que está em Brasília, ficou em casa durante o julgamento e não quis comentar a decisão. Manifestantes pró-Lago tomaram frente do palácio do governo.
Além dos MST, muitas outras entidades participaram da mobilização a favor de Lago. Artistas e grupos folclóricos se revezaram na animação do público, que levava faixas, bandeiras e cartazes com a frase "Sarney nunca mais!".
Os coordenadores do MST negaram que estejam defendendo Jackson Lago por causa dos convênios pelos quais o movimento recebe verbas do governo do estado.
- No Maranhão, há um grande embate político, e nós temos posição política. Por isso estamos aqui - disse Elias Araújo, um dos coordenadores do MST no Maranhão.
(O Globo)
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