terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Suriname: moradores pedem socorro no povoado

Mãe de cinco filhos, a macapaense Rita Cardoso, ao telefone, pede socorro ao Brasil para evitar o que chama de “ameaça de massacre” em Tabiki, localidade encravada entre montanhas e florestas ao norte do Suriname. Em entrevista ao DIÁRIO, ela conta que desde sábado os brasileiros do povoado não dormem e só andam em grupos, temendo um ataque de surpresa dos marrons.

P: É verdade que os brasileiros de Tabiki estão com medo dos marrons?
R: O pessoal fala que os marrons que bateram nos brasileiros e incendiaram lojas em Albina estão vindo de canoas, armados até os dentes, se unir aos marrons daqui e fazer a mesma coisa em Tabiki. Está todo mundo apavorado. Os brasileiros daqui são pacíficos e não se metem em confusão. Por favor, não deixem que eles (marrons) nos matem.

P: O que os brasileiros estão fazendo para se proteger do suposto ataque?
R: Tem gente se escondendo no mato e outros viajando para os garimpos da Guiana Francesa para escapar dos marrons. Outros também estão se organizando em grupo para se defender. Ninguém anda sozinho, porque assim fica mais fácil ser agredido.

P: Os marrons de Tabiki não gostam de brasileiros, como os de Albina?
R: Esse ódio não tem sentido. Os brasileiros são trabalhadores, pais de família, que deixaram o Brasil porque lá não tem oportunidade para trabalhar. Eu mesma tive que sair do Amapá e estou há um ano e meio aqui, ganhando meu dinheiro e dando de comer aos meus filhos.

P: Os brasileiros estão se armando para repelir o ataque dos marrons?
R: Não, ninguém tem arma de fogo. O que o pessoal tem é facão, porque é arma que serve no garimpo. Os brasileiros não têm maldade com ninguém.

P: Você está com medo?
R: Muito. Poxa, quando a gente está levantando a cabeça em busca de uma vida melhor, vem uma ameaça dessas. Não sei se vão atacar, estão apenas ameaçando, mas os maridos estão escondendo suas mulheres no mato ou levando para os garimpos. Em Albina, os morenos (marrons) estupraram mais de vinte. Ninguém quer que isso aconteça por aqui.

(Diário do Pará)

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